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O DIABO – QUEM OU O QUE É ISTO?

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[Assuntos diversos] O DIABO – QUEM OU O QUE É ISTO?

Mensagem por Gleison Elias em 22.12.11 11:17

PARTE 1



Esta série de estudos não pretende esgotar o tema em questão.
Proponho um "RE-EXAME" do assunto, a fim de trazer à superfície
a verdadeira "identidade" deste personagem que está escondido
sob a tradição cristã e com isto verificar o que a bíblia nos
diz realmente sobre Ele. Será que a bíblia apóia a idéia de que
o diabo é um ser sobrenatural? O que significam as palavras
"diabo" e "satanás" na bíblia? Onde se encontra na bíblia que o
diabo foi algum dia um "anjo de Deus" que se rebelou nos céus?
Este artigo, dividido em seções, dará início ao tema e procurará
trazer as respostas baseadas apenas nas escrituras.

INTRODUÇÃO


O cristianismo tradicional e até mesmo alguns ramos do judaísmo,
acreditam na existência de um ser “maléfico”, cuja origem se deu
no céu, antes do mundo físico ser criado e cuja rebelião neste
mesmo céu, o fez ser lançado para baixo, junto com seus
auxiliares (os demônios) e cujos objetivos desde então têm sido
levar os seres humanos à ruína e perdição, sempre longe do
conhecimento e da salvação que Deus proporciona.
Este ser é conhecido pela visão popular como um anjo poderoso do
mal, que induz os homens ao pecado, sendo Ele próprio
“adversário de Deus”. Mesmo que divergindo de opinião em alguns
detalhes, todos esses grupos são unânimes em atribuir a este
“anjo do mal”, a origem do pecado e que por meio de suas
instigações, nossos primeiros pais desobedeceram à vontade
divina, trazendo então por conseqüência o pecado ao mundo.
Os rabinos judeus muito cedo falaram da tendência humana para o
mal [ yetser ha-ra ] e a tendência humana para o bem [yetser
ha-tov]. Esta tendência para o mal eles entenderam como sendo,
por vezes, personificada ou simbolizada pelo “Diabo”.[1].
De acordo a estes sábios judeus e as escrituras, visualizamos
que a visão tradicional se torna muito difícil de aceitar. Isso
faz Deus parecer um homem com uma praga de ratos em sua casa,
que lida com ela, expulsando os ratos para a casa ao lado!
Obviamente a maneira honesta de lidar com ratos em sua casa é
matá-los. O homem decente não vai se livrar dos ratos
despejando-os na casa do seu próximo. Por que então O Deus
Todo-Poderoso lidaria com uma praga de “anjos rebeldes”,
expulsando-os para a nossa casa para nos importunar? Por que
então Ele não os matou?
Todos os Anjos nas escrituras são mencionados como sendo justos
e servos de Deus e mesmo os "Anjos do mal / desastre", que podem
levar destruição aos pecadores, ainda são anjos que realizam a
vontade de Deus. (veja Isaías 37:36 e 1 Crônicas 21:16). O povo
de Deus, Israel, inicialmente tinha essa opinião, mas como
tantas vezes aconteceram com o povo de Deus, eles misturaram
suas crenças verdadeiras com as do mundo ao seu redor.
Mas os primeiros rabinos judeus rejeitaram a idéia de que os
anjos se rebelaram, e especificamente rejeitaram a idéia de que
a serpente no Gênesis tenha sido Satanás. Naquele tempo, “o
diabo judaico” era pouco mais do que uma alegoria da má
inclinação entre os seres humanos. [2].
A origem definitiva do mal e do pecado humano é de fato uma
questão profunda, mas apenas lidando com essa questão é que
estamos habilitados a lidar com o pecado e o mal e encontrar uma
forma de vencer. A culpa de tudo em um diabo pessoal com
chifres, rabo e tridente é uma forma de escapismo, esquivando-se
da questão, especialmente quando se entende que este tipo de
“Diabo” não é encontrado em lugar nenhum na Bíblia, mas sim é um
acréscimo de séculos de especulação e adaptação de mitos pagãos.

De um modo geral no mundo, especialmente no chamado mundo
"cristão", existe a idéia de que as coisas boas na vida vêm de
Deus e as coisas ruins do Diabo ou Satanás. Esta não é uma idéia
nova; nem mesmo é uma idéia apenas limitada ao cristianismo
apóstata. Os babilônios, por exemplo, acreditavam que havia dois
deuses, um deus do bem e da luz, e um deus do mal e das trevas,
e que estes dois travavam combate mortal. Ciro, o grande rei da
Pérsia, acreditava exatamente nisso. Por isso Deus disse a ele,
"Eu sou o Senhor, e não há outro, fora de mim não há Deus...Eu
formo a luz, e crio as trevas, eu faço a paz, e crio o mal
("desgraça" na Nova Versão Internacional); eu, o Senhor, faço
todas estas coisas" (Is. 45:5-7, 22). Deus cria a paz e Ele cria
o mal ou desastre. Neste sentido Deus é o autor, o criador do
"mal". Assim, há uma diferença entre "mal" e “pecado”, que é uma
falha do homem; e que entrou no mundo como resultado da ação do
homem, não de Deus (Rm. 5:12).
Deus diz a Ciro e às pessoas da Babilônia que "não há (outro)
Deus além D´Ele". A palavra hebraica 'el' traduzida como "Deus"
fundamentalmente significa "força ou fonte de poder". Deus está
dizendo que não há uma fonte de poder que exista à parte dEle.
Esta é a razão porque um verdadeiro crente em Deus não pode
aceitar a idéia de um Diabo ou demônios sobrenaturais.
Deus: O Criador do Mal?
A Bíblia está repleta de exemplos de Deus trazendo "mal" para as
vidas das pessoas e para este mundo. Em toda a Bíblia, Deus é
descrito como a única fonte de desastre sobrenatural e do mal:


Amós 3:6 diz: Sucederá qualquer mal à cidade, e o Senhor não o
terá feito? Miquéias 1:12 diz: “porque desceu do Senhor o mal
até à porta de Jerusalém”.
No livro de Jó lemos como Jó, um homem justo, perdeu as coisas
que ele tinha na vida. O livro ensina que a experiência do "mal"
na vida de uma pessoa não é diretamente proporcional à sua
obediência ou desobediência a Deus. Jó reconheceu que "O Senhor
deu, o Senhor o tomou" (Jó 1:21). Ele não diz: "O Senhor deu e
Satanás tomou". Ele comenta à sua esposa: "Recebemos o bem de
Deus e não receberemos (também) o mal?" (Jó 2:10).[3]. No fim do
livro, os amigos de Jó o confortam quanto "a todo o mal que o
Senhor trouxera sobre ele" (Jó 42:11 cf. 19:21; 8:4). Assim,
Deus é a fonte do "mal", no sentido de ser aquele que permite os
problemas que temos em nossas vidas.
"Porque o Senhor corrige a quem ama...Se suportais a
correção...esta, depois, produz um fruto pacífico de justiça nos
que por ela têm sido exercitados" (Hb. 12:6-11).
Isto mostra que as provas que Deus nos faz passar, ao final,
resultam em nosso crescimento espiritual. Dizer que o Diabo é um
ser que nos força ao pecado é voltar a palavra de Deus contra si
mesma e ser injusto, uma vez que ele espera trazer às nossas
vidas os problemas que levam ao nosso desenvolvimento "o fruto
pacífico de justiça ".
Vejam mais estes textos: Juízes 9:23, 1 Sm 16:14-23, 2 Sm. 24:1
e 1 Cr. 21:1. 1 Reis 22:22-23; 2 Crônicas 18:21-22, Romanos
1:25-32, 2 Tessalonicenses 2:11-12.
Em todo o Antigo Testamento, O Único Deus é apresentado como
todo-poderoso, sem igual e em nenhuma concorrência com qualquer
outra força cósmica. O Antigo Testamento deixa claro que
qualquer "adversário" para o povo de Deus acaba sob o controle
do próprio Deus. A bíblia fala que Deus O Pai é TODO-PODEROSO.
Este termo vem do hebraico EL-Shaday e do grego PANTOKRATOR.
Sua etimologia indica que o nome pode derivar do acádio “SHADU”,
“Rocha”, “Montanha” (Deus Das Montanhas), ou ainda ,”
SHE-DAY”(aquele
que é suficiente a si mesmo). Em nossas Bíblias tem o
significado de ação de um SER FORTE. [4]
O que procuro afirmar é que O Deus único não conhece oponente,
nem rival. Ele é O Deus auto-suficiente, não há no universo
ninguém e nada que se oponha a Ele. Se nós realmente não
acreditamos nisto, estaremos questionando a supremacia do Deus
Todo-Poderoso. Da mesma forma, quando dizemos que existe um ser
(O DIABO DA CRENÇA POPULAR), “adversário de Deus”, estamos
afirmando que existe alguém que se opõe a Deus em termos iguais,
o que a bíblia em minha opinião não respalda.
No Antigo Testamento o conceito do mal não existe de forma
personificada e autônoma em relação a Deus. Na visão monista,
característica do AT, a soberania absoluta de Deus não é
ofuscada por nada. Deus é o autor de todas as coisas, sejam elas
compreendidas como boas ou más pelo ser humano. A falta de um
dualismo radical entre o bem e o mal se explica pela
exclusividade de YHVH, por isso a figura de Satã é
desnecessária, afinal, YHVH é responsável pelo mal.
O Antigo Testamento é permeado por uma visão monista, onde Deus
é que garante a ordem cósmica e qualquer ser ou pessoa que
pretenda atrapalhar esta ordem, recebe a devida retribuição por
sua desobediência.
Neste sentido, pode-se dizer que no Antigo Testamento o mal
praticado pelo ser humano traz embutido em si o castigo. Assim
sendo, seria correto afirmar que o Deus YHVH é o originador de
uma série de males em retribuição ao mal praticado pelo ser
humano, todavia ele não é o causador do mal em um sentido moral.

Entre os séculos VI e IV a.C e IV e I a.C, períodos de hegemonia
persa e grega respectivamente, tais culturas influenciaram
profundamente o judaísmo e conseqüentemente o cristianismo.
Nessa época, teria ocorrido uma ruptura na personalidade de
Deus, o qual se tornou exclusivamente um autor benigno, deixando
de agir de forma maléfica. No que se refere à cultura hebraica,
houve uma quebra, um deslocamento da visão “MONISTA” para uma
visão “DUALISTA”. Na concepção dualista, dos persas ou iranianos
particularmente, havia um Deus benevolente e um deus malévolo
sendo que o mal e o bem eram realidades diferentes de origens
distintas. [5].
Um Rebelde Imortal? Impossível!
Um rebelde imortal é uma impossibilidade! Em Deus está a fonte
da vida (Salmo 36:9). Ninguém pode enganá-lo, preservando a sua
vida e poder por rebeldia. "Na sua mão está a alma de todo ser
vivente." (Jó 12:10) e tira a vida de todos os que se levantam
contra Ele. Entrega à morte toda a desobediência e pecado.
Sugerir-se-á que Deus fez uma exceção no caso do diabo? O diabo
bíblico é um pecador (1 João 3:8), portanto não pode ser
imortal. Deus não faz acepção de pessoas, sejam homens ou anjos.
Em Deus não há mudança nem sombra de mudança. Ele é um. Ele é o
mesmo para sempre e em toda parte. Ele não age de uma forma na
terra e em outra no sol ou em outras partes dos Seus domínios.
Seus caminhos são sábios, consistentes e invariáveis. Por
conseguinte, a operação da Sua lei que associa a morte com o
pecado destruiria o diabo se este fosse um indivíduo; “o diabo
vive pecando desde o princípio" e tem que ter sido mortal desde
o início.
Em alguns casos, o ponto de vista popular chega aceitar este
argumento até ao extremo de admitir que o diabo não pode ser
imortal e deve morrer no decorrer do tempo. No entanto, sugere
que, mesmo que seja mortal, deve ter existido desde a criação da
raça humana, e a sua carreira vai terminar apenas quando o Filho
de Deus triunfar sobre a terra. Isso, claro, é mais absurdo e
insustentável que o ponto de vista comum.
A teoria de um diabo imortal e sobrenatural, que já foi um anjo,
parece possível e consistente quando esta não é examinada
cuidadosamente; mas a idéia de um diabo mortal, que não passa de
um pecador, exercendo a sua influência sobre outros pecadores
(porque se diz ter o poder da morte e da doença) com o objetivo,
não de aplicar a lei divina mas para rivalizar com a Divindade
no Seu trato com a humanidade, fazendo tudo que pode para
afligir e levar à destruição a todo os que a Divindade está
tentando salvar, é extremamente difícil de conceber.
Se este é o diabo da Bíblia, por que foi necessário que Jesus
morresse para conseguir a sua destruição? Ele partilhou da carne
e do sangue "para que, por sua morte, destruísse aquele que tem
o poder da morte, a saber, o diabo." (Hebreus 2:14). Como
destruiu o diabo através de sua morte? Se o diabo é um ser
independente da humanidade, o que tinha que ver a imolação da
carne e sangue de Cristo no Calvário com o processo da sua
destruição? Sendo um personagem maligno, ativo e forte então era
preciso poder e não fraqueza para vencê-lo. Era necessária a
natureza de um anjo e não de uma "semente de Abraão" para
combater com sucesso o poder pessoal das trevas. Mas Jesus
existiu em carne e submeteu-se à morte para destruí-lo. A
vitória coroou os seus esforços, e o diabo foi destruído. As
palavras "diabo" e "Satanás" ocorrem várias vezes nas
Escrituras, mas não existe afirmação alguma sobre a doutrina
popularmente associada com estas palavras. Isto é importante
porque, se a doutrina fosse verdadeira, seria razoável esperar
que fosse formalmente expressa da mesma forma que as outras
verdades. [5].
Deve ser enfatizado que o pecado vem de dentro de nós. É por
nossa falha que pecamos. Aceite o leitor ou não, é isso que a
bíblia diz. É claro, seria bom acreditar que não é por culpa
nossa que pecamos. Poderíamos pecar livremente e então nos
desculpar com o pensamento de que, realmente, foi culpa do
Diabo, e que a culpa do nosso pecado deve ser colocada
inteiramente sobre ele.
Os temas do mal, do diabo e dos demônios, são sumamente
complicados. Na realidade encontram-se entre os últimos temas
que um estudante da Bíblia chega a entender. Isto se deve aos
escritores do Novo Testamento (onde ocorrem quase todas as
referências a "diabo" e aos "demônios"), onde esperam que o
leitor já tenha um entendimento do Antigo Testamento. Com muita
freqüência os leitores do Novo Testamento não têm conhecimento
do Antigo Testamento, e têm os seus próprios conceitos acerca do
“diabo”, e dos “demônios” segundo o significado dessas palavras
na sua cultura local. Desta forma misturam as suas próprias
idéias com os ensinamentos da Bíblia.

DIABO E SATANÁS, O QUE SIGNIFICAM?
A palavra SATAN - שָטָן - (significando adversário, acusador),
derivam da raiz semítica šṭn, significando ser hostil, acusar
[6]. O Tanakh (nome dado ao que nós conhecemos como Antigo
Testamento) utiliza a palavra שָטָן (satan) para se referir a
adversários ou opositores no sentido geral assim como opositores
espirituais.
A palavra DIABO (Grego Diabolos) significa (acusador,
caluniador), formada por duas palavras: dia – através de - e
ballein – que é lançar, jogar. [7]
Diante do significado das palavras exposto acima, vamos mostrar
que a Bíblia nunca se refere a diabo e satanás como um anjo
caído. O uso bíblico destas palavras mostra que elas podem ser
aplicadas como adjetivos comuns, descrevendo pessoas comuns.
Este fato torna impossível deduzir que as palavras Diabo e
Satanás, como são usadas na Bíblia, por si mesmas, se referem a
uma pessoa ou a seres muito perversos fora de nós. No sentido
amplo, a Bíblia usa essas palavras como uma personificação do
maior adversário da raça humana, o que nos acusa diante de Deus
– “nossa própria pecaminosidade”.
A visão popular do diabo desafia o senso comum e o ensinamento
da Bíblia. Se Deus "amou o mundo de tal maneira que deu o seu
Filho unigênito" por nós (João 3:16), como ele poderia permitir
a existência de uma criatura sobrenatural, cuja intenção é nos
destruir? A 1ª OCORRENCIA DE SATANÁS NA BÍBLIA
A opinião comum alega que satanás aparece pela primeira vez nas
escrituras no relato da tentação de Eva, em gênesis, capítulo 3.
Comumente se ouve falar que a serpente com o poder da fala,
representou a primeira manifestação mediúnica na história. Isto
é falso.
A primeira ocorrência de satanás na bíblia, encontra-se em
Números 22:22:
E a ira de Deus acendeu-se, porque ele se ia: e o anjo do Senhor
pôs-se-lhe no caminho por adversário (heb. satan): e ele ia
caminhando, montado na sua jumenta, e dois de seus moços com
ele.
O versículo 32 do mesmo capítulo esclarece quem era “satã” no
texto:
Então o anjo do Senhor lhe disse: Por que já três vezes
espancaste a tua jumenta? Eis que eu saí para ser {teu}
adversário (heb. satan), porquanto o {teu} caminho é perverso
diante de mim.
Observem que aqui, o “satanás” da passagem é o Anjo de YHVH que
se opôs a Balaão quando ele saía para amaldiçoar o povo de
Israel.
Mais referências de satan na bíblia:
Porém os príncipes dos filisteus muito se indignaram contra ele;
e disseram-lhe os príncipes dos filisteus: Faze voltar a este
homem, e torne ao seu lugar em que tu o puseste, e não desça
conosco à batalha, para que não se nos torne na batalha em
adversário (satan): porque com que aplacaria este a seu senhor?
{porventura} não {seria} com as cabeças destes homens? (1 Sm.
29:4).
Porém Davi disse: Que tenho eu convosco, filhos de Zeruia, para
que hoje me sejais adversários (satan)? Morreria alguém hoje em
Israel? Porque {porventura} não sei que hoje fui {feito} rei
sobre Israel? (2 Sm. 19:22).
Aqui, os filisteus referiam-se a David como um “satan”, no
contexto militar representando um inimigo dentro de suas
fileiras e usa a mesma expressão quando se refere a Joabe e
Abisai. A palavra “satan” foi corretamente traduzida.
NO LIVRO DE REIS
Porém agora o Senhor meu Deus me tem dado descanso de todos os
lados: adversário (satan) não {há}, nem algum mau encontro. (1
Reis 5:4).
Levantou, pois o Senhor a Salomão um adversário (heb. Satan), a
Hadade, o idumeu: ele {era} da semente do rei em Edom.
Também Deus lhe levantou {outro} adversário (heb. Satan), a
Rezom, filho de Eliada, que tinha fugido de seu senhor Hadadezer,
rei de Zobá.
E foi adversário (satan) de Israel por todos os dias de Salomão,
e isto além do mal que Hadade {fazia}: porque detestava a
Israel, e reinava sobre a Síria. (1 Reis 11:14,23,25).
Nesta passagem, o “satan” é apenas um ser humano comum, Hadade,
o Idumeu e Rezom, que se opuseram a Salomão. Não há nenhuma
figura de um “anjo caído” descrita aqui.
NO LIVRO DE SALMOS
Os que dão mal pelo bem são meus adversários (satan), porque eu
sigo {o que é} bom. (Salmos 38:20).
Sejam confundidos e consumidos os que são adversários (satan) da
minha alma; cubram-se de opróbrio e de confusão aqueles que
procuram o meu mal. (Salmos 71:13).
{Em} paga do meu amor são meus adversários: mas eu {faço}
oração.
{Seja} este da parte do Senhor o galardão dos meus contrários, e
dos que falam mal contra a minha alma.
Vistam-se os meus adversários de vergonha, e cubra-os a sua
própria confusão como {uma} capa. (Salmos 109:4,20 e29).
“Põe acima dele um ímpio, e Satanás esteja à sua direita”.
(Salmos 109:6).
Por que a ARC 1969 e a ACF deixaram o versículo 6 sem tradução?
Vamos analisar o contexto e ver a forma correta da tradução:
Versos 1 a 5;
Observem que aqui a palavra “satanás” foi deixada sem tradução
na versão ARC 1969 e escrita com letra inicial maiúscula,
favorecendo o entendimento de que se trata de uma pessoa. Como
dito acima, o termo “satan” significa “adversário, opositor”.

Salmos 109 - Versículos 1 a 5 - Ó DEUS do meu louvor, não te
cales; Pois a boca do ímpio e a boca fraudulenta estão abertas
contra mim: têm falado contra mim com uma língua mentirosa. Eles
me cercaram com palavras odiosas, e pelejaram contra mim sem
causa. {Em} paga do meu amor são meus adversários: mas eu {faço}
oração. Deram-me mal pelo bem, e ódio pelo meu amor.
Davi aqui está falando a respeito dos homens maus que o
cercavam, os quais Ele mesmo chama de “meus adversários”. Então
apela a Deus para que “coloque um ímpio como seu adversário
também”. Todo o capítulo exige que a palavra “satan” seja
traduzida, observando seu verdadeiro significado.
Olhem para o número de vezes que a palavra “satan” ocorre neste
capítulo (um total de 4 vezes:
v. 4 - {Em} paga do meu amor são meus adversários: mas eu {faço}
oração. (Traduzida corretamente);
v. 6 - Põe acima dele um ímpio, e Satanás esteja à sua direita.
(Deixada sem tradução);
V. 20 - {Seja} este da parte do Senhor o galardão dos meus
contrários, e dos que falam mal contra a minha alma. (Traduzida
nesta versão como contrários);
V. 29 - Vistam-se os meus adversários de vergonha, e cubra-os a
sua própria confusão como {uma} capa. (Traduzida corretamente).

Para confirmar, veja este mesmo capítulo, em 3 versões
diferentes e como elas traduziram o v. 6 corretamente:
“Designe-se um ímpio como seu oponente; à sua direita esteja um
acusador”. NVI
“Coloca sobre ele um homem perverso, E esteja à sua direita um
adversário”. SB Britanica
“Suscita contra ele um ímpio, e à sua direita esteja um
acusador”. ARA.
NO LIVRO DE ESTER
Porque fomos vendidos, eu e o meu povo, para sermos destruídos,
mortos e exterminados; se ainda por servos e por servas nos
tivessem vendido, eu teria me calado, ainda que o adversário (satan)

não poderia ter compensado a perda do rei. (Ester 7:4)
NAQUELE mesmo dia deu o rei Assuero à rainha Ester a casa de
Hamã, inimigo (heb. Satan) dos judeus; e Mardoqueu veio perante
o rei; porque Ester tinha declarado o que lhe era. (Ester 8:1).

Aqui, Hamã é descrito como “O SATAN” do povo judeu. Estes dois
versos foram traduzidos na septuaginta como “ho diabolos”.
Embora a ARC 1969 não tenha colocado o artigo definido antes do
vocábulo satan, no original hebraico ele se encontra. Isto
demonstra claramente que a palavra não é um nome de um ser
pessoal e maléfico, porém significa simplesmente “adversário,
aquele que se opõe”. “O Diabo aqui é Hamã, ninguém mais”.
CITAÇÕES DOS CHAMADOS “PAIS DA IGREJA” A RESPEITO DO DIABO
SATANÁS NO PENSAMENTO DE ORÍGENES
Orígenes desenvolveu a idéia de que Deus pagou um resgate ao
Diabo para nossa salvação, e que o resgate foi o sangue de seu
Filho Jesus (idéia muito comum no cristianismo atual). Uma vez
que Cristo era Deus (doutrina da trindade), Cristo ressuscitou
dos mortos e, portanto, o Diabo foi feito de bobo, e defraudado
do seu poder. Esta tentativa de preservar a justiça de Deus
parece-me alcançar o extremo oposto. Não só é tudo isso um
desrespeito ao ensinamento do Novo Testamento sobre a expiação,
mas a idéia de Deus ter que recorrer à fraude e ao engano de
Satanás, está completamente fora de sintonia com a revelação
bíblica sobre Deus.
Orígenes também foi o primeiro a usar a passagem de Isaías 14
sobre o rei da Babilônia, em apoio da doutrina do diabo cristão.
Esta passagem, considerada em outra seção, em realidade fala do
rei humano da Babilônia como a mais brilhante das estrelas, a
estrela da manhã [Latim "Lúcifer"], que metaforicamente "caiu".
Significativamente, a "estrela da manhã" é um título de Cristo,
e tinha sido usado no primeiro século como um "nome cristão" por
aqueles que se converteram ao cristianismo. Mas Ele procurou dar
à "Lúcifer" uma conotação negativa. Da mesma forma, Orígenes foi
pressionado em usar uma passagem similar sobre a queda do
príncipe de Tiro em Ezequiel 28. Ele usou até mesmo em Jó, a
referência à enorme besta Leviatã, como sendo "Satanás". (Jó
41:1,2) .
Durante a discussão, Orígenes abandonou a idéia de que o relato
de Gênesis 6 sobre a passagem dos filhos de Deus se casando com
as filhas dos homens diz sobre os anjos caídos, pois isto
confundiu logicamente suas idéias de que os anjos do diabo
caíram no inferno após o seu pecado inicial. Ele estava
preocupado em provar que a justiça de Deus sempre foi acolhida,
pois esta era uma crítica freqüente feita à doutrina do diabo
pessoal. Então foi forçado a saber se todos os anjos caídos
estão acorrentados, se sim, por que estão supostamente em
atividade? Sua resposta foi a formulação de teorias sobre os
demônios que são capazes de entrar e sair do inferno para tentar
as pessoas na terra, e alguns anjos caídos ainda estejam ativos
no ar. Tudo isso, obviamente, sem o menor respaldo bíblico.
SATANÁS NO PENSAMENTO DE JUSTINO MÁRTIR
Justino Mártir foi um dos maiores expoentes na tentativa de
defender o cristianismo contra as críticas gnósticas. Escrevendo
em meados do século 2, ele falou muito de como todo o universo é
realmente infestado com os demônios e com o poder do diabo. Ele
chegou a essa conclusão através da necessidade de responder à
pergunta "Onde é que Satanás e seus anjos caíram?". Ele concebeu
um esquema de vários níveis de atmosfera, povoadas, segundo ele,
por vários tipos de anjos caídos. Daqueles que caíram, uns
desceram para o centro da terra, ao inferno, enquanto outros
permaneceram na terra e ainda outros estavam na atmosfera. Ele
também acolheu a falsa idéia de uma alma imortal que vai para o
céu depois da morte, e, portanto, supôs que os demônios na
atmosfera iriam procurar parar o progresso da alma para o céu.
Isto é completamente sem respaldo bíblico. A Bíblia fala
claramente da ressurreição do corpo e da recompensa literal dos
justos no reino de Deus sobre a terra no momento da segunda
vinda de Cristo.
Justino Mártir claramente estava desesperado por provas bíblicas
para apoiar suas opiniões. Sua cosmologia completa, como
descrita acima foi com total falta de apoio bíblico. O melhor
que podia fazer era uma referência à idéia de que os filhos de
Deus se casaram com as filhas dos homens em Gênesis 6. Esta
passagem, no entanto, certamente não fornece nenhuma base para a
cosmologia que Justino procurou esboçar. O desespero intelectual
de Justino é destacado pela gafe que ele comete em seu Diálogo
com Trifão, onde ele afirma que "Satanás" deriva do hebraico
"apóstata", que ele alegou significar "serpente". Esta
etimologia é claramente falsa, visto que a palavra hebraica para
serpente é “nachash” e Satanás significa simplesmente
"adversário". Este tipo de desespero intelectual e a
desonestidade acadêmica em torcer os significados da raiz
hebraica, foram devidos a ter que defender o indefensável, que a
serpente do Éden não foi o animal literal que Gen. 3:1 diz que
foi, mas sim um apóstata pessoal que está sendo chamado de
Satanás.
É significativo que Gregório também foi observado como
reivindicando conhecimento falso de palavras hebraicas e gregas,
a fim de apoiar o seu caso, por exemplo, alegando que “diabolus”
vem de uma raiz hebraica que significa "escorregar para baixo”.
Absolutamente nada deste tipo!
Uma análise deste período mostra como os chamados "pais" lutaram
com as implicações lógicas das teorias que desenvolveram sobre
Satanás. Um exemplo disto é a forma como eles mudaram suas
idéias sobre o que exatamente foi o pecado de Satanás. Teófilo
assumiu a idéia judaica [de Sabedoria 2:24] que a inveja foi o
pecado de Satanás, Irineu e Cipriano diferiram quanto ao fato de
que era a inveja de Deus ou do [suposto Jesus pré-existente], ou
de Adão, mas depois Orígenes decidiu que o pecado de Satanás não
era a inveja, mas na verdade era o orgulho.
Novamente eles se recusaram a enfrentar os fatos simples do
registro de Gênesis, resumidos por Paulo quando ele disse que
"por um só homem [Adão] entrou o pecado no mundo" (Rm 5:12).
Irineu lutou com a cronologia da queda de Satanás. Tendo
decidido que Satanás caiu porque estava com inveja de Adão, ele
teve que colocar o pecado de Satanás depois da criação de Adão.
Confrontados porém com o problema de quando os anjos de Satanás
caíram, supostamente entendidos de acordo com Genesis 6,
decidiram que foi pouco antes do dilúvio.
Claro, que por sua vez, uma série de outras questões surgiram.
Por que Satanás foi expulso e não os outros anjos? Como chegaram
à ficar no céu por muitos séculos mais? Como conciliar isso com
a interpretação de Apocalipse 12, que afirma que o diabo e seus
anjos foram expulsos do Céu juntos? Será que Satanás e seus
anjos não cometeram o mesmo pecado?
SATANÁS NO PENSAMENTO DE IRINEU E TERTULIANO
Orígenes, Irineu e Tertuliano criaram a idéia que foi
desenvolvida e popularizada posteriormente em romances e artes,
que Deus de alguma forma enganou Satanás. O raciocínio foi que
Satanás pediu o sangue de Jesus, e assim ele fez Jesus morrer,
mas desconhecido para Satanás, Jesus sendo [supostamente] Deus,
se levantou da sepultura. Não só Jesus nunca é definido como
"Deus" em um sentido trinitário na Bíblia, como também toda esta
sugestão é puramente ficcional. O sangue de Jesus não foi "pago"
a ninguém. E um Deus Todo-poderoso não precisa de truques de
Satanás, a fim de ganhar um jogo. Vemos que nossa visão de Deus
afeta nossa visão de Satanás, e vice-versa. E vemos também que a
visão forçada, não natural e não-bíblica da expiação afeta nossa
visão de Satanás também.
As críticas e as questões foram elaboradas sobre estas
contradições e os "pais" tiveram que cavar ainda mais fundo em
uma teologia tortuosa e contraditória. Eles foram levados a
procurar saber se Satanás e seus anjos pecaram ao mesmo tempo e
foram expulsos do céu juntos, e se de fato cometeram o mesmo
pecado, ou foram pecados diferentes. Tertuliano respondeu que
Satanás pecou pela inveja, e foi expulso do céu por isso. Ele,
então, ajustou seu fim, dizendo que foi dado à Satanás um
período de carência entre o seu pecado e sua expulsão, durante o
qual ele corrompeu alguns dos anjos, e então eles foram expulsos
do céu depois dele.
Clemente, pelo contrário, insistiu que Satanás e os anjos caíram
ao mesmo tempo. As respostas dos "pais" eram totalmente
fictícias, e não estavam de acordo a quaisquer declarações
bíblicas. E mesmo assim esses homens desesperados insistiram que
foram orientados por Deus em seus pontos de vista e o pior é que
muitas gerações da cristandade tem seguido cegamente suas
opiniões.
Tertuliano também foi levado à questão se Satanás era um anjo,
ou outro tipo de ser e afirmou depois de tudo, que na verdade,
Satanás era um anjo. Ele foi então levado a questão de como
exatamente Satanás e os anjos desceram dos céus à terra. Vendo
que tinham de viajar através do ar, Tertuliano afirmou [Apol.
22], que o diabo e seus anjos tinham asas.
Ao invés de reconhecer que estas eram especulações meramente,
Irineu e Tertuliano passaram a insistir que a crença em Satanás
foi uma doutrina central do cristianismo. Tertuliano insistia
que no batismo, o candidato devia repreender Satanás
efetivamente, e apoiado por Hipólito, estava fazendo seu ponto
de vista de Satanás uma parte fundamental da fé cristã, e sem
aceitá-lo, uma pessoa não poderia ser batizada na fé cristã. O
candidato tinha que declarar: "Eu renuncio a vocês, Satanás e
seus anjos". Isso estava bem longe das passagens do Novo
Testamento onde homens e mulheres confessavam os seus pecados e
eram batizadas em Cristo para o perdão de seus pecados. Esse
tipo de pensamento foi levado para o seu termo final, quando
mais tarde, em 1668, Joseph Glanvill afirmou que negar a crença
num demônio pessoal era logicamente negar a crença em Deus, e
foi, assim, equivalente ao ateísmo.
Este é o dualismo onde o amor de Deus é acompanhado por um deus
do mal. Então negar o deus do mal é negar a existência do Deus
de amor, o Deus e Pai do Senhor Jesus. O calvinista John
Edwards, em sua publicação de 1695 faz algumas reflexões sobre
as várias causas e as ocasiões do ateísmo. Ele alegou que a
negação do Diabo e os demônios é uma das causas do ateísmo.
Isso tudo é tão triste e trágico para uma perversão do
cristianismo bíblico, como aqueles que negam a existência de um
demônio pessoal, como resultado de uma pesquisa bíblica e
histórica cuidadosa e que acreditam na onipotência final do
único Deus, acreditando nisso a tal ponto que não vemos espaço
para a existência de um “diabo pessoal” e desta forma somos
enquadrados como ateístas. E isso não é uma coisa do passado,
ouvimos falar de líderes cristãos afirmando que aqueles que
negam a existência de um diabo pessoal, negam a própria essência
da fé cristã, e não devem ser considerados como cristãos.
No entanto, uma compreensão puramente bíblica acerca do diabo,
certamente promove a espiritualidade e a moralidade do Novo
Testamento pela idéia de que o verdadeiro "inimigo" é o nosso
próprio pensamento humano interno e a tentação leva a uma feroz
luta contra a imoralidade no mais profundo do coração de quem
sabe quem é o verdadeiro inimigo do cristão. [9].
MARCELO ALEXANDRE DO VALLE
E-MAIL´S PARA CONTATO
marceloalexandrevalle@yahoo.com.br / jkdvalle36@hotmail.com

FONTES CITADAS NO ARTIGO
[1] Citado pelo Rabino Shimon ben Lakish - Talmud Babilônico,
Baba Batra 16a – Extraído do livro de Duncan Heaster, The Real
Devil.
[2] Citado por Joshua Trachtenberg - O Diabo e os judeus - (New
Haven: Yale University Press, 1943) p. 19. Idem.
[3] Todas as citações bíblicas foram extraídas da ARC 1969.
[4] www.bibliaonline.net.
[5] http://pt.wikipedia.org/wiki/Diabo
[6] Robert Roberts, Cristandade Extraviada, cap. 7.
[7] American Heritage: Dicionário de raízes semíticas. STN.
[8] http://www.etymonline.com/index.php?search=devil.
[9] Produzido com auxílio do livro - The Real Devil, cap. 5 -
Duncan Heaster.
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